sexta-feira, outubro 31, 2008

Escrever

Um vício,
daqueles mais fortes e insaciáveis.
Uma rotina, daquelas mais gostosas e inebriantes.
Como uma gota de orvalho que precisa do amanhacer para ser tão bela.
Da mesma maneira que o cantor,que precisa do palco para ecoar sua voz.
Escrever é quando os fatos se tornam verdadeiros depois de terem sido inventados.
Em cada letra a história contada, o sentimento expressado do que se vive, ou apenas vê, mas sobretudo, sente.

quarta-feira, outubro 29, 2008

Qual o seu conceito de arte, de cultura, de contemporaneidade, de bosta?

Se eu não me engano, existem cerca de 150 bienais no mundo. A terceira mais importante do mundo acontece de 26 de outubro a 6 de dezembro em São Paulo, na Bienal no Parque do Ibirapuera. Mas o que é uma Bienal? Às vezes uma Bienal de arte mais parece uma invenção para qualquer um poder levantar a bandeira a favor da arte e dar assunto em conversas de bar. Não é muito incomum alguém falar a favor da arte sem nunca nem ter ido numa exposição, numa galeria, e muito menos na grande Bienal.

E a 28º edição da Bienal de São Paulo levanta justamente essa questão, qual a importância de uma Bienal? As bienais de arte nasceram em Veneza com o conceito de trazer o que há de mais moderno, mais atual e contemporâneo (o que podem ser coisas diferentes) em todos os aspectos da arte. Mas desde que a massificação da cultura aconteceu nos últimos 50 anos e que as formas de se fazer arte modificaram-se enormemente, surgindo várias maneiras de se reproduzir vários tipos de obra, ficou impossível trazer para uma Bienal tudo o que acontece de mais significativo nos ramos culturais. O conceito da bienal se torna então obsoleto. Faz sentido então gastar 8 milhões de reais (sendo apenas 1 milhão dos países estrangeiros, o resto do Brasil) na realização de uma grande exposição de arte que não faz mais sentido?

O conceito de arte é posto em xeque, e as divergências não são apenas conceituais, mas políticas e econômicas. Porque se uma bienal é o resultado da massificação da arte e da cultura, tudo que é massificado faz imediatamente parte do mercado, da economia, do capitalismo. Ivo Mesquita, o curador da Bienal desse ano, foi mais que ousado, foi decisivo. Dos três pisos do complexo criado por Niemeyer, o segundo ficará totalmente vazio. É a crítica de Mesquita ao sistema falido das bienais, é o modo dele de nos questionar conceitos e sistemas.

E a arte mesmo? Talvez a maior atração da Bienal desse ano (tanto metaforicamente quanto literalmente) seja o Test Site, obra do multinacional Casten Höller, que consiste em escorregadores que vão do terceiro e segundo piso ao térreo. E onde esta a arte nisso? Arte não é aquele negócio que você fica parado olhando, diz “oh, é tão lindo”, sem nem saber do que realmente se trata e vai embora? O conceito de arte moderna, talvez esteja prevalecido em trabalhar com emoções, é inquietar o observador, é de simplesmente lhe fazer pensar. Esse é o maior desafio da arte moderna. Isso é a arte moderna.

Fazendo companhia aos tobogãs surreais de Casten, há os 1800 desenhos de Allan MacCollum, que inspiram os visitantes a montar a partir deles os desenhos finais, e a inquietante obra do brasileiro Iran do Espírito Santo, uma fechadura espelhada, que experimenta brincar com o voyerismo, pois em vez de ver seu objeto de desejo, você vê a si mesmo. Além disso, há bandas, há vídeoarte, há dança e coreografias. Sim, a pintura faliu há muito tempo, as esculturas não são mais óbvias e o desejo de impressionar é substituído pelo anseio de fazer você se questionar.

E os museus onde ficam? Bem, eu não sei há quanto tempo você não vai a um, mas até eles se reinventaram. Ok, o Acre não é muita referência, mas em São Paulo temos o Museu da Língua Portuguesa, até mesmo o modificado Ipiranga, mas a maior exemplo mesmo é o Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA pros íntimos), cujo próprio nome já parece conflitante, pois museu e arte moderna não parecem pertencer a mesma sentença sem um advérbio de negação.

E aqui no Acre esse trabalho de contemporaneidade me parece tão pouco explorado. O Sesc (atualmente um dos maiores programadores culturais do Brasil), realizou uma exposição de Darci Seles chamada “Música para os meus olhos”. Aliás, pouco divulgada até mesmo nos meios mais alternativos, mas as obras vão ficar em destaque até o dia 5 de novembro. É inegável que as ramificações da arte cresceram, mas então como trabalhá-las a ponto de que o ideal contemporâneo de pensar/emocionar funcione?

E eu me lembro frequentemente do Hélio Melo, foi a primeira pessoa que se dedicava a arte que eu conheci. Eu vi suas pinturas e ele cantava uma canção, enquanto tocava aquele violino desafinado, apontando pras crianças e dizendo “olha o Mapinguari!”. Pra cada um que ele apontava, as crianças ao redor riam. Hélio Melo com certeza não trabalhava com o conceito de arte moderna, muito menos parecia dar algum valor a isso, não sei, eu era apenas uma criança, mas ele com sua arte me fazia pensar, me emocionava e principalmente, me divertia.
Porque, parafraseando os Titãs, “a gente não quer só comida, a gente comida, diversão e arte”. A arte não pode apenas emocionar e refletir, mas nos divertir também. Misturem, inventem, renovem-se. O Festival Varadouro não é só musica, tem moda. O circuito A Cidade se Diverte me surpreendeu ontem quando ao chegar eu vi uma apresentação de teatro e não uma banda tocando. O fato é que a arte em si não pode ficar confinada nem ser discutida apenas em bienais, museus de arte moderna. O conceito de cultura, do contemporâneo, da arte, não é algo fixo, pelo contrário, é tão dinâmico, veloz, surpreendente e imprevisível quanto à descida por um tobogã metálico e transparente enfiado no meio de dezenas de obras e artistas.

E como tá a tv digital aqui no Brasil?


Vocês lembram do estardalhaço quando a tv digital chegou ao Brasil?
Eu lembro que teve até um pronunciamento do presidente, não foi?
As pessoas estavam satisfeitas porque teriam a famosa 'high definition', contudo criticavam o modelo japonês e discutiam as dificuldades, debatia-se a comunicação e criou-se uma expectativa quanto a variedade de opções.

E cadê?

Então, a tv digital vai chegar só no próximo semestre de 2009. (Aqui no Acre, sabe-se lá..)(Aliás, existe uma data que já foi divulgada, que seria dia 02 de dezembro.) Isso tudo porque está sendo desenvolvido um sistema que se chama Ginga. Um software livre, que até pouco tempo atrás acreditavam que era uma desculpa para tal situação, mas que foi apresentado em julho num congresso no Rio.
Daí gera uma nova 'novela', porque quem comprou o conversor pra tv digital sem o Ginga, vai ter que comprar outro com, pra poder usufruir da tal da interatividade.
As emissoras ainda estão a espera de definições técnicas e o lançamento de conversores do Ginga. Mas a Globo já se posicionou dizendo que também no primeiro semestre de 2009 os usuários poderão usufruir das novas possibilidades.
Atualmente, devido ao fato de a maioria da população não ter acesso às informações de forma integral, há pouco incentivo quanto a tv digital (que não sai..). Ano está acabando... vamos ver se a Ginga se mexe.

terça-feira, outubro 28, 2008

Musica Popular Acreana

Hoje é dia de ouvir a boa música acreana, o Circuito Intinerante a Cidade se Diverte vai para a sua segunda edição com as bandas:

Capuccino Jack
Zé Jarina
Camundogs
Graça Gomes
Heloy de Castro

Nos encontramos na Uninorte à partir das 20h.
Compareça!

segunda-feira, outubro 27, 2008

Dia Internacional da Animação, 28 de Outubro


Imagens de: O Turno da Noite, Matapos, Tyger e X Coração (esq. p/ dir.)


Dia 28 de Outubro, terça-feira, acontece a I Mostra de Curta-Metragens em comemoração ao Dia Internacional da Animação, com programação simultânea em mais de 150 cidades brasileiras. A celebração acontece nessa data pois foi nesse dia, no ano de 1892, que Émile Reynaud apresentou sua invenção conhecida como "Teatro Óptico", projetando desenhos animados em uma parede branca, no Museu Grevin, em Paris, dando assim o primeiro passo para o Cinema de Animação.
O evento é produção da Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-metragistas do Acre – ABDeC/AC em parceria com a Associação Brasileira de Cinema de Animação (ABCA) e acontece pela primeira vez no Acre, na Biblioteca da Floresta Marina Silva, em Rio Branco, às 18: 30 horas. Na ocasião serão apresentados curta-metragens internacionais, por uma hora e nacionais, por mais uma hora.
Após, será exibido o documentário da Mostra Sílvio Margarido, cineasta acreano ganhador do DOCTV 2008: José, Memórias do Padre José Carneiro de Lima (1991), a partir das 21 horas.
A entrada é franca para os dois eventos, que acontecem no intuito difundir, aproximar e incentivar o público a apreciação do cinema através dos curta-metragens, documentários e animação.

Segue abaixo a lista dos curta-metragens que serão exibidos no Brasil:

FILMES BRASILEIROS

1. X Coração
Direção: Lisandro Santos
2Dl/11min 30seg/2007/Porto Alegre – RS
Sinopse: X Coração conta a história do amor platônico de Alex, o chapista que faz o melhor Xis da cidade, por Val, a band-lider que freqüenta a lanchonete onde ele trabalha.

2. Atirei o pau no Gato
Direção: Sergio Glenes
2D/ 03min 33seg/2007/Rio de Janeiro – RJ
Sinopse: Animação inspirada na cantiga de roda brasileira “atirei o pau no gato”. Um menino brinca de tiro ao alvo com seu gato de madeira. Após acertar um gato do parque com sua bola de borracha, ele descobre com a ajuda de Dona Xica, que é bem mais divertido fazer novas amizades, e a diferença entre seu brinquedo e um amigo de verdade.

3. Rua das Tulipas
Direção: Alê Camargo
3D/15min 08seg/2007/Brasília – DF
Sinopse: Um grande inventor acostumado a criar soluções para todos os moradores de sua rua, a Rua das Tulipas, após ver a felicidade de todos seus vizinhos, descobre que ainda faltava a felicidade de uma pessoa...

4. Balanço
Direção: Jackson Farias Teixeira
2D-Rotoscopia/ 01min 49seg/2006/Belo Horizonte – MG
Sinopse: Duas figuras pintadas no papel ganham vida em uma nova dança, até que acontece um pequeno acidente.

5. Balões
Direção: Jonas Brandão
2D/01min 22seg/2007/São Paulo - SP
Sinopse: Dois homenzinhos flutuam livremente pelo azul infinito do céu amarrados a balões. Eles então decidem que o céu pertence a si.

6. Primogênito Complexo
Direção: Tomás Creus e Lavinia Chianelo
Stop Motion/11min 30seg/2007/Porto Alegre - RS
Sinopse: Um filho primogênito e seu irmãozinho recém-nascido ilustram a eterna luta entre o velho e o novo.

7. Respiro
Direção: Adriana Meirelles
Stop Motion-Recorte Digital/3min 40seg/2008/São Paulo - SP
Sinopse: Menino está fazendo sua lição de matemática e não consegue resolver uma soma. Na tentativa de resolver seu problema começa a brincar com um jogo de montar e começa a sonhar acordado. Neste sonho começa a pensar em equações impossíveis.. . em questões impossíveis.. . E cada questão se transforma na próxima numa integrante coreografia visual.

8. Seu Lobo
Direção:Humberto Avelar
2D/02min 53seg/2007/Rio de Janeiro - RJ
Sinopse: Animação inspirada na cantiga de roda brasileira “Seu Lobo”. Crianças cantam canção infantil repetidamente e incomodam o lobo que tenta escapar do tormento em sua casa.

9. Monkey Joy
Direção: Amir Admoni
3D e 2D sobre vídeos reais/08min 15seg/ 2008/ São Paulo - SP
Sinopse: A chegada de um produto revolucionário estremece a monotonia da cidade de Amsterdã. Usando como ponto de partida imagens ilustrativas do cotidiano holandês que captou durante seis meses, o designer e diretor Amir Admoni cria uma deliciosa ficção animada que, por trás do humor sarcástico, levanta questões corrosivas extremamente atuais, como o vazio da sociedade de consumo e a paranóia da política anti-imigração européia.

10. O Trambolho
Direção: André Rodrigues
2D/01min 48seg/ 2008/ Recife - PE
Sinopse: O que poderia acontecer em um dia como outro qualquer? Um sujeito engraçado, um celular e um ônibus. Pronto! A confusão está formada.

11. Tyger
Direção: Guilherme Marcondes
Digital e Bonecos/04min 30seg/ 2006/ São Paulo - SP
Sinopse: Um enorme tigre aparece em uma cidade para revelar a realidade de uma noite que poderia ter sido como qualquer outra.

12. Somos Passageiros...
Direção: Jefferson AV
Pintura sobre película 16mm/01min 10seg/ 2006/ Belo Horizonte - MG
Sinopse: Através de janelas, que emolduram formas, imagens fantasmas dançam sob fotografias fugidias, onde cavam-se linhas, explodem-se cores, figuras transformadas na marcha do movimento, trilha primitiva, de sons sintéticos, batidas secas, no ritmo de uma locomotiva.

13. One
Direção: Diego Stoliar
Flash e After Effects/ 01min/ 2007/ Rio de Janeiro - RJ
Sinopse: Uma peça minimalista de animação sobre a origem da vida no universo.

FILMES ESTRANGEIROS

1. O Turno da Noite (Night Shift)
Direção: Carlos Fernandes
Animação/ 06min/ 2006/ Portugal
Sinopse: O que os mortos poderiam falar? E o que eles decidiriam expressar suas vidas e mortes em um necrotério, em algum lugar aparentemente limpo. Nos últimos dias, os fantasmas revivem e criam uma realidade alternativa no “turno da noite”.

2 .Sem dúvida amanhã (Tomorrow… Without Doubt)
Direção: Pedro Brito
2D/ 07min/ 2006/ Portugal
Sinopse: Desde o dia em que alguém furtou sua carteira contendo todos seus documentos, um homem ficou desprovido de sua própria identidade e se torna um batedor de carteiras, olhando no bolso de estranhos, o que foi uma vez seu direito.

3. Jeden
Direção: Mateusz Jarmulski
3D/ 04min/2006/ Polônia
Sinopse: Relata um menino que deseja ser um jogador de tênis, como seu ídolo. Infelizmente ele só tem uma raquete.

4. Matopos
Direção: Stephanie Machuret
3D/ 12min/ 2006/ França
Sinopse: Em um vilarejo um homem cego, uma vítima de tempestade, começa a superar seus medos por uma mulher. Graças à qualidade musical de flauta, ele estará apto para enfrentar seus medos dos aldeões e oferecer uma percepção diferente dos elementos.

5. Açúcar, Creme e Algo (Sugar, Cream and Spittle)
Direção: Dong-hea
2D/ 06min 40seg/ 2006/ Coréia do Sul
Sinopse: É a história de uma mulher feia que está sempre irritada com a atitude se seus colegas de trabalho. Ela se faz contente por imaginar colocando algo no café de seu chefe.

6. Abraço (Hug)
Direção: Sang Hui Lee
3D/ 04min 20seg/2007/ Coréia do Sul
Sinopse: No meio do deserto, existem o cacto pai e a filha. O cacto filha viu uma família de animais abraçando-se uns aos outros, então pediu ao cacto pai que a abraçasse também. O cacto pai ficou assustado, pois não podia abraçar a filha porque seus espinhos podem machucá-la. O cacto pai rejeitou seu pedido rigidamente e sua filha ficou muito magoada. Ela então ficou emburrada e seu pai teve que tomar uma difícil decisão para faze - lá se sentir melhor.

7 .Uma Mordida (One Bite)
Direção: Claire Almon
01min/ Estados Unidos
Sinopse: Belas pinturas fluindo uma na outra.

8. Ao Alcance (Within Reach)
Direção: Wes Parham
02min/ Estados Unidos
Sinopse: Para dar um coração, o amor está sempre ao seu alcance.

9. Vou Fazer Um Sinal Para Você (I Will Make A Sign For You)
Direção: Alexander Tatarsky, Andrey
Pilot- Video Film/ 07min/ 1996/ Rússia
Sinopse: O clipe mostra a canção da lendária banda russa Mashina Vremeni.

10. Elevador (Lift 1)
Direção: Yevgeny Delussin Freijas
10min 21seg/ Rússia
Sinopse: Este é o primeiro filme da série “The Lift”.

Experimentem procurar "Dia Internacional da Animação" em sites de busca como o Google e conhecer a programação das Mostras em outras cidades e fora do país, como nos sites da ABCA e da Cinemateca.

O quê?
Dia Internacional da Animação
Quando?
Dia 28/10/2008, terça-feira
Às 18:30 horas
Onde?
Biblioteca da Floresta Marina Silva
Entrada Franca

Filomedusa na Rolling Stone Brasil

Texto sobre a banda acreana Filomedusa publicado na revista Rolling Stone Brasil, Edição 25, de Outubro 2008.

O Acre Brasil afora:



ROLA NOS FESTIVAIS
Alex Antunes



O FILOMEDUSA (AC) mistura rock clássico dos anos 70 com experimentalismos de Radiohead e ganha os palcos do país
Recife já provou, nos anos 90, que de cenas remotas poderia partir a renovação do pop nacional. A cena de Rio Branco, Acre, é minúscula, e não dá pra arriscar palpites ufanistas - mas tem algo daquele laboratório cultural, daquele cruzamento oportuno de referências, que leva a crer que o sucesso de Los Porongas não é apenas um acidente feliz. Filomedusa é outra banda que tem essa cara. A saber, um certo sabor retrô contracultural expresso em idealismo generoso e em gosto pelo rock clássico dos anos 70, cruzado com referências contemporâneas como Radiohead e Coldplay. E, se Filomedusa tem cara de Acre, Carol Freitas tem a cara da Filomedusa, uma cantora afinada e arrebatada, na linhagem de Elis e Björk. "Nasci em 1975, em uma família louca por MPB, por Chico, Caetano, mas também por Belchior, Fagner, Clara Nunes. Se tenho um mérito musical é não ter deixado passar essas referências", diz Carol. A banda é completada pelo baterista Thiago Melo, de 17 anos, o guitarrista Saulo (22) e o baixista Daniel Zen (28), que garantem uma pegada ao mesmo tempo pesada, criativa e envolvente.

Leia mais aqui.

Também sou hype!

sábado, outubro 25, 2008

sexta-feira, outubro 24, 2008

Cinema Acreano

Mostra de Vídeos vai exibir oito trabalhos de Silvio Margarido

Acontece a partir da próxima segunda-feira (27), 20h, na Biblioteca da Floresta, a semana de exibição de vídeos feitos pelo cineasta acreano, Sílvio Margarido. Serão oito vídeos que passeiam pelos gêneros de ficção, ensaio e documentário. A mostra de vídeos Sílvio Margarido tem o apoio da Prefeitura de Rio Branco, via Fundação Garibaldi Brasil, Governo do Acre via Biblioteca da Floresta Marina Silva e o patrocínio do Supermercado Araújo.

Com uma produção que teve início há mais de 20 anos e ainda deve se estender por muito tempo, Margarido decidiu colocar suas obras em análise dos cinéfilos. “Eu estou passando uma fase de insatisfação com o meu trabalho de audiovisual. Acho que não estou fazendo legal, não do jeito que eu gostaria de fazer. Com essa mostra, estou me colocando a prova para ouvir a opinião de outras pessoas, isso me ajudará”, explica.

Segundo Margarido, seus vídeos não podem ser considerados – ainda – filmes, e sim ensaios. “Eu acho que a maioria dos vídeos que fiz até hoje são ensaios, tentativas, estudos. Estou experimentando o que a escola não me dá”, explica. Sua mais recente produção, “Marta – A morta”, que vai ser lançado durante a semana da mostra, próximo dia 31 (dia das bruxas!), conta a famosa lenda da mulher da curva do tucumã e também é um ensaio, porém, pode ser considerado o auge de seus experimentos em vídeo, dando-lhe a certeza de agora sim pode realizar um filme com mais segurança.

“Eu não sou muito perfeccionista em relação ao cinema porque vejo as dificuldades e sei que não dá para fazer da melhor forma possível. Eu gosto muito de improvisar. Temos que estar aberto para isso, deixar as coisas rolarem”, explica o produtor.

Histórico

Silvio Francisco Lima Margarido, 48 anos, passou boa parte da infância no Bairro Quinze, brincou muito de rabo da besta, mas foi criado mesmo na 6 Agosto. Seu primeiro contato com o cinema foi através das tradicionais matinês que aconteciam na cidade, a diversão dos adolescentes de uns anos atrás. Além disso, aprendeu a ler a partir das HQ’s, mostrando que a influência visual veio desde cedo.

Sua primeira experiência em fazer cinema foi com o grupo de teatro chamado “Semente”, que através de um projeto, criou o Centro de Pesquisa e Criatividade, onde tinha como uma de suas atividades o cinema super 8. Junto com outros jovens da época, como o atual governador do Estado do Acre, Binho Marques, realizou vários vídeos entre animações, registros das apresentações teatrais do grupo Semente e documentários. Seu primeiro trabalho com vídeo, por volta de 1981, foi na função de operador de áudio e logo depois começou a trabalhar na TVE como sonoplasta.

Já em 1989, dirigiu seu primeiro vídeo-documentário que se chama “As Viúvas do Carvão”, ganhador de uma das primeiras edições do Festival de Vídeo Acreano, que foi rodado em Sena Madureira e será exibido durante a mostra. O filme conta a história de algumas viúvas que tinham na produção de carvão, o seu sustento. Já no final da década de 90, iniciou a produção ficcional com o vídeo-ensaio “Nóia – A moral”, que teve a participação do ator Beto Rocha.


Silvio e Toinho - encontro casual no centro da cidade


Além da mostra, Sílvio também inicia na semana que vem a fase de pré-produção do projeto de documentário de sua autoria, intitulado de “O Mergulho”, ganhador do DOCTV 2008. O filme vai tratar da relação de afeto pelo Rio Acre e deve ser lançado ainda no primeiro semestre do ano que vem, brindando os 20 anos do cineasta na estrada do audiovisual. Pra quem se interessar e quiser acompanhar o processo de produção, acesse:

http://omergulhoacreano.blogspot.com/


PROGRAMAÇÃO:

Segunda-feira (27) A CARTA – ficção/2004 AS VIÚVAS DO CARVÃO – documentário/1989

Terça-feira (28) JOSÉ – MEMÓRIAS DO PADRE JOSÉ DE CARNEIRO DE LIMA Documentário/1991

Quarta-feira (29) A RUA DO COMÉRCIO – documentário/1993 NÓIA – A MORAL – ficção/1995

Quinta-feira (30) A PELEJA DO HÉLIO MELO COM O MAPINGUARI DO ANTIMARY Documentário/ 1997-2006 REVOLTA – ficção/2004

Sexta-feira (31) LANÇAMENTO: MARTA – A MORTA Ficção/2007-2008
SERVIÇO: Todos os filmes serão exibidos às 20h*, na Biblioteca da Floresta Marina Silva. Entrada franca. *Com exceção da exibição de terça-feira (28), que será as 21h.


quinta-feira, outubro 23, 2008

Manual para se tornar um (pseudo) cult

Tornou-se um fato, a moda agora é ser cult. O problema é que a maioria das pessoas não consegue e no máximo chega a ser um pseudo cult. É algo que vai do norte ao sul do país e do mundo. Todos querem ser admiradores dos filmes vanguardistas-experimentais-setentistas do Godard e amantes da literatura introspectiva-niilista-pós-modernista de Clarice Lispector, afinal, para ser um cult, você precisa ter conteúdo cult. O problema é que adquirir cultura é cansativo, você tem que ler, estudar, se envolver com gente cult... por isso, para poupar pretendentes a serem cults que não sabem por onde começar, trago para vocês o Manual de Como Ser (Pseudo) Cult. Com pequenos passos que podem ser seguidos até pelos amantes da Mulher Melancia e dançarinas do Créu, vou ensinar você leitor esperto a como carregar o título de cult, ou alternativo, ou underground, ou indie, ou o que você quiser:

Passo 1 – Tenha grana e tempo sobrando
Lógico que você NUNCA vai admitir isso, afinal, você não vai ter a grana na verdade, pois você vai ser sustentado pelos pais ou por aquela vó aposentada pelo TSE que ganha uma nota e só tem o querido netinho pra corujar. Enfim, a grana não é sua, mas você gasta. E gaste bem, com livros, filmes, ingressos para o teatro, bandas de garagem. Carro? So se for usado e surrado. Ou como você vai poder levantar a bandeira do preço alto para os eventos culturais em frente ao teatro municipal se você tem um Corolla esperando na saída? Com a grana, você não precisa se prender a coisas nada culturais como trabalho com carteira assinada, faça no máximo uma faculdade voltada para artes, comunicação ou sociologia (Filosofia, Música, Artes Cênicas, Letras, Jornalismo, Publicidade e Propaganda dão status, mas Ciências Sociais é a top). E com o tempo livre sempre se dedique a programas alternativos, bares undergrounds, cinema de artes, sebos (livraria é coisa de rico) e por aí vai.

Passo 2 – Seja sempre a frente do seu tempo
Arthur Rimbaud é um dos poetas franceses que mais marcaram o mundo (mais pela sua vida gay es-cân-da-lo-sa, do que pelo seu trabalho, enfim...). Sua obra é considerado sempre “a frente do seu tempo” (ou seja, ele morreu pobre pra ser reconhecido depois). Logo, se você deseja ser conhecido como alguém cult, você tem que ser moderninho e transgressor total. Defenda sempre idéias com um fevor absurdo, suba em cima da mesa, tenha o dom da oralidade, saiba chamar a atenção de todos para o seu redor. Torne-se um incompreendido (mas no campo das idéias sociais, não vem com nada emocional não ou tu vai ser considerado emo e não cult).

Passo 3 – Tenha estilo
Você acompanha o Fashion Rio? Então você não é culto. Você acompanha o São Paulo Fashion Week? Então você é culto só se for pra estudar tendências de comportamento e diversidade capitalista . A sua pose tem que ser inabalada. Você não pode ser escandaloso (ou vai ser bixa louca), mas você tem que saber chamar a atenção, principalmente quando você esta explicando porque aquele filme é uma droga e você prefere o livro (que você não leu). Fume muito Marlboro, Golden Gate, Gudang Garam, mas Free, Carlton e Master não pode. Só beba destiladas, Absolut comanda (mas compre-a em grupo, NUNCA só você, é coisa de burguês), vinho também, principalmente em sarais. Tenha sempre aquele ar de esnobe, aquela pose blasé, cuidado com a gesticulação, desmunhecar pode, falar arrastado pode, usar gírias em inglês pode, em português NUNCA. Sempre critique quase tudo, principalmente em espetáculos, mas quando demonstrar que gostou de algo, bata palmas sempre de um jeito que o difira do resto da multidão, quase psicodélico, de preferência com o cigarro na boca, gritinhos e assobios, sempre mantendo a pose de esnobe.

Passo 4 – Saiba vender a sua imagem
Saiu com os amigos para um café sem açúcar? Então ocupe uma cadeira só com sua bolsa de tiracolo (NUNCA use mochila, mochila é coisa de universitário que tem estágio), e sua bolsa tem que ser grande, mas nunca o suficiente para você, e cheia de buttons personalizados. Sempre deixe a sua edição da Bravo!, Caros Amigos e Carta Capital a mostra. NUNCA use roupas de marca. Sempre prefira blusas listradas (preto/vermelho ou preto/branco) jeans surrados ou bermudas, além do óculos de armação grossa preta ou branca e o All Star que pode ser qualquer modelo contanto que seja All Star, pulserinhas artesanais também dão um toque. Cabelo grande bagunçado (tipo Arctic and Monkeys) para meninos e cabelo preto escuro curto ou ondulado (tipo Karine Alexandrino) para meninas. Sempre domine as conversas, principalmente depois de filmes alternativos ou peças patrocinadas pela Lei de Incentivo a Cultura, mostrando seu conhecimento de caso.

Passo 5 – Morte ao POP
Você não assiste rede Globo porque ela “manipula, distorce os fatos, aliena e lança musicas como Créu em nível nacional”. Séries de sucesso como Heroes e 24 Horas devem ser evitadas ao extremo, de Lost você deve gostar apenas da primeira temporada. Você não escuta rádio, só podcast’s especializados. Cinemark NUNCA. Porque só passa blockbusters comerciais Hollywoodianos. Nada de livros do Harry Potter, tire a fantasia da sua vida, exceto O Senhor dos Anéis e a primeira trilogia (feita) de Star Wars, mas nada de fanatismo e cosplays. Sempre tenha jazz no seu MP3, mas ele não pode ser da Apple. E sempre esteja ligado a iniciativa científica (essa bem menos), aos coletivos culturais, selos independentes, cenário underground e o mesmo do gênero. NUNCA concorde com o que todos concordam. Gente culta tem sempre opinião própria (é do contra).

Esse é um Passo a Passo de ficção, mas qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência.

E para aqueles que querem ser cults e pseudo intelectuais na área do cinema, fica aqui o ótimo vídeo passo-a-passo "Como fazer um curta-metragem experimental, cult e pseudo-intelectual".


E como diziam aquelas programas-propagandas que passavam na Manchete: “Oh, isso é incrível!”