quarta-feira, julho 30, 2008

E o que anda acontecendo no Conselho de Cultura?

Sobre a última reunião do Fórum Colegiado do Sistema Municipal de Cultura de Rio Branco no dia 29/07/2008.

Parece-me que fui mal interpretado na última reunião do Fórum Colegiado. Muitos não entenderam o que eu e muitos outros e outras colegas conselheiros municipais de cultura de Rio Branco estavam falando.

Um dos debates acalorados que travamos foi em torno dos últimos resultados do Fundo Municipal de Cultura, que aconteceram em editais com o objetivo de substituir o balcão de pedidos. Todo o Sistema discutiu que os Fundos regulamentariam a prática do balcão, ou seja, para acessarmos recursos do Fundo o Sistema diria o quê deveria ser disponibilizado. A relevância social dos debates dentro do Sistema é que formatariam os editais. Levantei a idéia de que os últimos editais do Fundo não seguiram essa lógica. Digo o motivo, a avaliação dos projetos do Fundo baseou-se eminentemente pela qualidade. A comissão que nós elegemos baseou seus critérios na qualidade dos projetos, e não em sua relevância social para o Sistema, que representa também aqueles que não fazem parte dele.

Quando expus minha fala compreenderam o que disse de maneira equivocada, pensaram que eu estava defendendo projetos de pessoas que participam do Sistema e que deveriam ser recompensadas por isso. A questão não é essa e os debates mostram isso. A questão é que a avaliação do Fundo deve basear-se em critérios de relevância social, e os projetos oriundos do próprio Sistema estavam antenados com esses debates. Esses projetos atenderiam não só as pessoas que participam do Sistema, mas o fazer cultural de Rio Branco como um todo.

O dispositivo de analise qualitativa de projetos já existe, que é a Lei de Incentivo do município de Rio Branco. Ali os projetos devem ser avaliados por sua qualidade. No Fundo não. A relevância do Fundo é social e sua avaliação deveria atender as necessidades que o próprio Sistema delimitou. Vou citar alguns exemplos do que digo. Projetos de entidades representativas da classe cultural devem ser aprovados no Fundo sempre, pois são projetos que irão ter relevância para a classe, representam seus participantes. As diversas Ligas, Federações, Associações e demais entidades devem ter seus projetos aprovados em qualquer edital do Fundo, pois a sua relevância social é notória. Projetos pactuados por pessoas dentro do Sistema também devem ser aprovados. O problema é que projetos estranhos a esse debate de relevância social forma aprovados.

Inúmeros projetos da Ufac, de renomado professor e outros que jamais participaram dos debates do Sistema foram aprovados. É lógico que um gabaritado professor vai escrever um bom projeto, afinal de contas passou a vida escrevendo teses, dissertações e artigos. Esses projetos altamente qualificados e que não fazem parte do Sistema têm a sua instância, que é a Lei de Incentivo. O Fundo deve ser um dispositivo de relevância social. Vimos projetos de pessoas de fora do Sistema serem aprovados. Qual a relevância social deles, já que nunca estiveram nos debates que travamos? Duvido muito que projetos da Fetac, dos movimentos sociais, de entidades esportivas e outros sejam socialmente menos relevantes do que o dessas pessoas estranhas aos debates do Sistema.

O que estou dizendo é isso: o Fundo Municipal de Cultura de Rio Branco não é dispositivo de qualidade, mas de relevância social. Se pensarmos em qualidade no Fundo estaremos cometendo o erro que foi feito com o esporte, que não teve nenhum projeto aprovado nos últimos editais. E olhem que quando falo de qualidade, muitas vezes os projetos ditos de qualidade são os que apresentam melhor domínio da norma culta da escrita, pois o resultado do Fundo mostrou essa compreensão.

O quê estou dizendo não é contrário a necessidade de apresentarmos currículos, documentos e outras exigências legais, isso é assunto de outra discussão. A questão é que a comissão que escolhemos cometeu esse erro grave, de basear seus critérios de avaliação no Fundo em normas de qualidade.

Daniel da Silva Klein. Historiador. Conselheiro Municipal de Cultura e membro eleito para a Comissão Executiva do Sistema Municipal de Cultura de Rio Branco.

Vote e incentive o artista acreano!



Oi gente

Está tendo uma votação on-line para escolher as 4 melhores fotos de crianças. Enviei para seleção esta foto que está aí em cima, e ela passou pela primeira fase: de 180 fotografias, escolheram 20, e entre as 20 está a minha. O prêmio não é lá muita coisa, são cases e mochilas para equipamentos de fotografia, mas case e/ou mochilas para guardar câmera e demais equipamentos, é uma coisa que eu estou precisando MUITO. Mas, devido as dívidas oriundas da minha câmera e objetivas, no momento não posso comprar e seria uma maravilha se eu ganhasse, ficaria 'feliz que só'.lollol

Então, quem tem orkut, adciona a comunidade e fica nela até o dia 6 de agosto e vota na minha foto vai.. Por favor?

Aqui está o link, tem uma enquete e tem meu nome do lado da foto que está em anexo.



Um beijão!
Talita Oliveira.

terça-feira, julho 29, 2008

Fire Angel na Roadie Crew

"A Fire Angel obteve uma boa avaliação da revista Roadie Crew (nº 114 – julho/2008) quanto à sua pré-Demo intitulada “The Prophecy”, na seção Garage Demos. O material enviado à revista é o mesmo que foi gravado às pressas em março de 2008 para concorrer à vaga na seletiva Norte do Wacken Metal Battle 2008". (João Neto)

Confira na íntegra a avaliação da revista por Maurício Dehò:


“Mais uma banda acreana se junta à cena metálica nacional. Desta vez é o Fire Angel, fundado em 1999 em Rio Branco e praticante de um som misturando influências do Metal Tradicional, como o Iron Maiden, e o Melódico, lembrando nomes como o Viper em seus primórdios.

Depois do EP From The Sky, de 2006, eles dão mais uma amostra do seu som com The Prophecy, que traz três músicas. Apesar da simplicidade do som, na abertura, From The Sky, já é possível notar as referências do sexteto, formado por João Neto (voz), Adão Ribeiro e Paulo Henrique (guitarras), James Emerson (bateria), Fábio Lima (baixo) e André Araújo (teclados).

Há influências clássicas, bons solos e, como bons descendentes do Maiden, as ´twin guitars` detonando. Talvez pela produção um pouco pobre, é que haja a semelhança com o Viper, o que, no fim das contas, vira um elogio. Destaque para a voz de João, com um timbre muito bom, e para The Evil Son, com um belo refrão. O Fire Angel não inova, mas faz um som com muita garra e que tem um bom gostinho dos antigos tempos.”

Para saber mais sobre a banda Fire Angel, confira o blog: http://www.fireangelband.blogspot.com/

segunda-feira, julho 28, 2008

Na Microsoft os Indies também tem vez

Mãos a obra mentes criativas. Tratem de baixar o XNA Game Studio da Microsoft e criar coragem pra desembolsar US$ 99 por ano numa conta Premium do XNA Creator`s Club para comercializar seus jogos na Xbox Live.

Jogos independentes disponibilizados na LIVE poderão custar entre US$ 2,50 e US$ 10, o preço fica a critério do desenvolvedor que poderá receber até 70% da receita gerada pelo jogo a cada trimestre. Os jogos terão uma seção própria na LIVE e aqueles de maior sucesso receberão destaque.

Claro que nem todo jogo feito será comercializado. Primeiramente eles deverão passar pela aprovação de outros membros da XNA Creator`s Club para depois serem aprovados pelo controle de qualidade da Microsoft.

Parece que Steam vai ganhar um competidor a altura na publicação de jogos Indie e será uma grande oportunidade pra quem está cursando desenvolvimento de games aparecer no mercado com um bom portfólio. Só resta saber se depois dessa o LIVE Marketplace vai estar disponível também para PC.


Via: On10 através do Meio Bit Games

domingo, julho 27, 2008

sexta-feira, julho 25, 2008

Agendinha Cultural

SAXOFONE

Saudades dos eventos musicais na Concha Acústica? Pois é, o saxofonista Marcos Pessoa vai estar naquele palco hoje (sexta-feira), às 19horas, fazendo o show de lançamento do seu segundo CD. O álbum, intitulado “Clássicos da Harpa”, contém nove faixas totalmente instrumentais, nas quais predomina o pop romântico.

Durante o evento, o saxofonista irá apresentar ao público as canções de seu disco e receber convidados especiais de outros Estados. Estarão no palco, juntamente com Marcos Pessoa, o pianista da banda do cantor Belo, Rafael Casilhol, o guitarrista Luo Camponelli, vindo diretamente de Niterói (RJ), e o baixista da banda de Cláudio Zolli, Fabrício de Souza.

TEATRO

Quer uma dica para a noite de sábado? Então não perca a apresentação do espetáculo “As Mil e Uma Noites”, que vai acontecer amanhã (26), às 20horas, no Teatro de Arena do Sesc. A versão teatral da grande obra-prima da literatura árabe traz à cena 70 personagens que serão interpretados pelos atores do elenco do grupo de Teatro Experimental do Sesc de Amazonas (Tesc).

Oficinas – Neste domingo, 27, Márcio Souza e Daniel Mazzaro irão realizar duas oficinas voltadas para as artes cênicas no Sesc. A oficina de Introdução à Dramaturgia será ministrada por Souza, das 9 às 13 horas. Já a oficina Exercícios da Interpretação fica a cargo de Mazzaro, das 14 às 17 horas. Os interessados podem efetuar a inscrição no Sesc/Centro, no setor de Cultura.

CINEMA

Mas se você prefere curtir um cineminha, vai a dica: “A Felicidade Não se Compra” é o filme que vai ser exibido pelo Cinemacre deste sábado (26), às 19horas, no auditório da Biblioteca da Floresta.

Sinopse: George Bailey é um sujeito comum, leva uma vida apertada, mas honesta, fazendo o possível para ajudar a todos em sua pequena cidade. Infelizmente as circunstâncias da vida o colocam contra a parede. Ele se vê prestes a perder a família, o trabalho, a liberdade. Assumindo que fracassou, George decide tirar a própria vida, mas é impedido por Clarence, um anjo que mostra a George o quanto ele pode ser importante, o quanto a vida de uma pessoa toca e influencia todos à sua volta.

RAP ACÚSTICO??

Depois do show Sete Luas, do contra-baixista C.A, entra na agenda do Acústico Em Som Maior, no Theatro Hélio Melo, o show “Seja Bem Vindo”.

Produzido pelo grupo de hip hop Yaconawas, o show promete um trabalho inovador, sintonizado com as temáticas de arrojo regional, misturando ritmos e poesias.

Quem vai subir no palco são os músicos: Adauto Rilison (piano e teclado) e Kinho Dubass (baixo e voz), Eme 'C (voz), Vitor Farias (voz) e Gerabatera (bateria).

Quando: 29 de julho e 5 e 12 de agosto, a partir das 19h30.
Onde: Theatro Hélio Melo
Quanto: 5 reais (inteira); 2 reais (estudante).

quinta-feira, julho 24, 2008

terça-feira, julho 22, 2008

segunda-feira, julho 14, 2008

A volta dos que não foram

Depois de um ano e quatro meses, o Teatro Plácido de Castro é mais uma vez o palco do Los Porongas. Na oportunidade anterior, o quarteto lançou o CD “Los Porongas”, produzido por Phillipe Seabra, da Plebe Rude. Aquela ocasião também ficou marcada como a despedida deles do Acre – atualmente, moram em São Paulo. Tudo isso gerou uma grande expectativa sobre o “Los Porongas convida” realizado no último sábado (12/07).

O Teatrão recebeu uma platéia razoável, principalmente se levarmos em conta que se apresentaram artistas com carreira musical iniciada em nossa terra e as entradas custando R$10 e R$5 (meia). Não há dúvida que Los Porongas cativou o seu lugar na história do rock acreano, e seus fãs não se resumem em seguidores de determinado estilo musical.

Toda essa ansiedade atrapalhou bastante. A começar pelos mais de 50 minutos de atraso. Um desrespeito com o público que não é exclusividade desse show, mas é uma triste tradição dos eventos musicais da cidade. “Suspeito de Si” abriu a noite, seguida por “Lego das Palavras”. Era visível o nervosismo dos integrantes e alguns erros técnicos. Porém, a partir de “Tudo ao Contrário” o palco – que, a essa altura, já reunia um bom número de “tietes” nas proximidades – apresentava a velha e boa performance dos Porongas.

Eis um daqueles pontos difíceis que costumam dividir os fãs: apresentar algo novo ou manter o que sempre deu certo? Admito certa frustração em ver que nada mudou. A Terra da Garoa serviu para a divulgação e inserção da banda no cenário nacional – inclusive rendeu a gravação do DVD, através do projeto Toca Brasil, no Instituto Itaú Cultural, com lançamento previsto para setembro – além do aprendizado em situações como o episódio com o Senhor F e a Barraventos. Porém, o repertório permanece exatamente como antes. Inclusive as músicas para cover. Novo mesmo, foi ver o baterista Jorge Anzol chorar – no encontro com o mestre Hermógenes – roubando a marca registrada do vocalista Diogo Soares.

Enfim, os convidados...

Brincadeiras a parte, o ponto alto da apresentação foram as ótimas escolhas de convidados que fizeram participações especiais. Primeiro com o amigo-fã-guitarrista da Nicles, Glauber Jansen, que assumiu a guitarra na música “Enquanto Uns Dormem”. Seguindo o roteiro, foi a vez de Diogo “vazar” – palavras do guitarrista João Eduardo – e dar lugar para o vocalista da Camundogs, Aarão Prado, cantar “Como o Sol”. Boas atuações, mas sem empolgação.

“A pessoa no Acre que melhor canta Beatles.”, foi a definição criada por Diogo para anunciar a vinda de Edunira Assef. Nada mais justo. Cantando “Come Together”, os dois entraram em um transe contagioso, conversaram em espanhol, clamaram justiça e emocionaram.

Após “Ao Cruzeiro” e “Não Há” – cantadas em coro com os fãs – chega outro grande momento da noite: a participação do baterista, louco e show-man, Hermógenes. Saído lá do fundão da platéia, Hermógenes surge tocando um instrumento de sopro, que confesso não saber exatamente qual é. Hora de assumir as baquetas, ao lado de Anzol,  e tocar “Metamorfose Ambulante” de Raul Seixas e, logo após, “SOS” da banda Capu. Bonita homenagem aos pioneiros do rock acreano autoral.

De acordo com o roteiro, tudo se encerraria com “Espelho de Narciso”, mas é claro que algumas músicas mais antigas eram paradas obrigatórias. Foi o caso de “Vovó Alice” e “Zumbi”. Além do cover d’O Rappa, “Homem Amarelo”, com participação de Lucas Maná (Dona Xica) que não cantou, mas fez alguns "UoÔ". Nostalgia dos corredores da UFAC.

Faltou aquilo que diferencia show ao vivo de uma gravação de DVD: surpresa. Tudo correu exatamente como se esperava – salvo algumas “atravessadas” que não são comuns nas apresentações deles. A banda explicou em algumas entrevistas recentes que a estrutura oferecida pela nova produtora deve liberá-los de alguns contratempos, dando assim espaço para novas composições. É esperar para ver.

Tudo ao contrário

(ou apenas um show “Mais do Mesmo” e a receita básica para dar certo)

Texto: Giselle Lucena
Fotos: Talita Oliveira


"Estamos esperando uma crítica ruim. Surpreendentemente, não lemos nem ouvimos nada negativo ainda", Jorge Anzol (Jornal Página 20, de 12.07.08).

O que falar do grupo musical que foi coroado como a Melhor Banda Independente da Virada Cultural de São Paulo; de CD eleito pela revista Rolling Stones como um dos 25 melhores brasileiros de 2007; que levou o nome do Acre para os palcos dos Centros Culturais do Sesc-Pompéia, do Banco do Brasil, do Teatro do Itaú Cultural; e para tantos outros lugares, revistas, jornais...? Quem vai criticar um show dos Los Porongas, a banda que tanto enche os acreanos de orgulho?

Eu, eu vou. Porque o clima que existe é exatamente aquele de que não importa o que eles façam, eles podem e nós fãs, estaremos aplaudindo e vibrando com o coração muito satisfeito. Afinal, eles são os Los Porongas, uma banda acreana que nos trouxe conquistas inéditas. Para isso, claro, eles parecem seguir a receita direitinho. Pudera, com a experiência dos eventos culturais das terras paulistas, produzir um show de qualidade em Rio Branco e arrancar elogios por aqui não deve ser muito difícil.


“Los Porongas Convida” aconteceu no último sábado (12), no Teatro Plácido de Castro, o Teatrão. Era para ser o lançamento do DVD, mas por alguns imprevistos o lançamento foi adiado. O nome do show confundiu algumas pessoas, que pensaram se tratar de um show fechado, só para convidados. Depois de ser capa de todos os jornais locais do dia e da mobilização feita pela produção e amigos, era quase certeza que seria um grande evento. O palco com duas baterias, duas guitarras, as caixas, um piano, estava tudo ok... Epa! Peraí, duas baterias e um piano? É, algumas surpresas deveriam vir.

Com mais de cinqüenta minutos de atraso e depois de receber aquela salva de palmas da platéia num estilo: “olha, nós estamos aqui esperando...”, eis que entra no palco João Eduardo, Jorge Anzol, Márcio Magrão e por último, Diogo Soares. “Suspeito de Si” foi a escolhida para abrir o show. É aquela que diz: “destino clandestino, algum motivo reticente vai se revelar em aflição...”; logo seguida por "Lego de Palavras", a primeira música a chamar atenção da mídia especializada. Aqui, cabe um elogio ao backing vocal de João Eduardo (todo mundo sabe que um bom backing vocal faz uma grande diferença, e nesta canção, fez toda a diferença). “Tudo ao Contrário”, na seqüência, é com certeza a música que mais faz o público pular. Nessa hora, o Teatrão já não tava tão “ão”, e eram poucos os que continuavam sentados.

Era a vez de “Enquanto Uns Dormem” e lá estava Glauber, guitarrista da banda Nicles, assumindo as guitarras para uma participação especial. Para não deixar ninguém dormir, quem diria, uma grande surpresa: lá estava João Eduardo, tocando o piano de cauda do Teatrão. E aproveitou bem a oportunidade, como disse Diogo, “não é todo dia que se tem um piano num show”. O repertório seguiu com “O Escudo”, dessa vez sem o som de qualquer guitarra. É que João continuou no piano.

Na seqüência, um clima “Surreal” à capela e Aarão Prado é chamado ao palco. Ele canta “Como o Sol”, que precede à “Nada Além”. E depois a gente escuta um “Uau, que legal!”, é expressão de Edunira Assef, demonstrando como é dividir o palco com os Los Porongas, num show no Teatrão lotado, com gente sentada e gente colada no palco. O show prossegue com ela e Diogo cantando “Come Together”, uma canção de Lennon e McCartney. Com direito à dança sensual e a protesto contra o que parece estar “fora da ordem” (porque um bom evento artístico ou um bom show de rock deve ter lá um viés político... é dos ingredientes da receita). Além disso, fazer com que o público faça parte do show através de dinâmicas de “ooôôOOôôÔÔooOO...”, também é um ingrediente básico.

E o show segue com doses poéticas de existencialismo, até a hora de se levantar questões históricas, porque é difícil uma homenagem aos pioneiros do rock acreano não trazer resultados positivos. Estou falando da “prezeparticipação” especial de Hermógenes (ex-Capu), talvez um dos momentos mais esperados da noite. Hermógenes, com o seu trompete, simplesmente surge por trás da platéia e começa um show à parte. Ele sobe no palco e assume aquela outra bateria. E lá estávamos nós, diante dos Los Porongas com dois bateristas. Eles tocaram Metamorfose Ambulante, de Raul Seixas, e depois S.O.S, canção de Clenilson Batista e Clevisson Batista.

Alguém pode achar que o Teatrão não é um local adequado para show de rock. Mas, se a banda preza por uma produção de qualidade e precisa cobrar entrada, vai fazer o show onde? Aliás, depois do show no DCE da Ufac, onde o Diogo ficou sem voz e o Anzol, digamos assim, não teve desempenho tão bom quanto o de costume, eles precisavam se redimir. Com certeza, o local foi uma escolha justa. Shows de rock aqui não costumam ter uma produção tão boa quanto este. Até a iluminação, o jogo de luz e seus efeitos não foram feitos assim de qualquer modo, produtores acreanos devem se atentar mais a estes detalhes.


Gente de todos os jeitos, idades, gerações e estilos... Los Porongas faz todo mundo mexer o corpo, levantar o braço ou simplesmente bater com o pé no chão numa mesma sintonia. Mas isso somente nas canções que são possíveis seguir. Assumam comigo, há músicas dos Los Porongas que não são nada fáceis de dançar e que qualquer pulinho não se encaixa nas levadas.

De acordo com o roteiro, “Espelho de Narciso” finalizaria o show. Adicionar hinos do daime é algo impossível de não arrancar elogios. Mas não acabou por aí. Os garotos relembraram os tempos de DCE da Ufac, de Concha Acústica e de Ecos da Tribo com “Vovó Alice”, uma das primeiras músicas a chamar atenção do público rio-branquense. “Homem Amarelo” também entrou (cover de O Rappa, que fez Lucas Maná ser convidado a subir no palco) e, para fechar de verdade, “Zumbi e Chico”.

É certo que relembrar, dar uma nova roupagem às músicas e contar com participações especiais oferecem tons de novidade. Mas o repertório foi basicamente o mesmo desde quando a banda se mudou para São Paulo. Já era hora de novas composições, pelo menos umazinha que fosse. Reconhecemos que lá na grande cidade metropolitana não há Mercado do Bosque, Hélio Melo ou curva do Rio Acre... Mas deve haver outras coisas, eventos culturais que muito já ensinaram a estes garotos. Portanto, “avoem” Porongas e voltem com DVD – e novas poesias, se for possível.

Receita para um bom show de rock:

Inovar é sempre muito perigoso. É difícil fugir do que dá certo e ousar. Para não arriscar, existe uma fórmula básica para ter bons elogios e ficar longe da crítica ruim:

01 - Interação com outras bandas (por meio da participação especial de outros músicos, isso demonstra o sentimento de amizade e troca de experiências, todos olham de forma positiva);

02 - Valorização de outras manifestações da cultura local (adicionar hinos do daime, por exemplo. Quem é das comunidades se sente lisonjeado, e quem não é ou não conhece acha criativo);

03 - Fazer o público participar do show (todo bom show de rock – ou espetáculo teatral – usa dinâmicas de “oOoÔ” para brincar com a platéia);

04 - Cover de grandes ícones do rock’n’roll (Raul Seixas e Beatles é infalível, todo roqueiro que se preza gosta);

05 - Protesto político/social (é preciso ter cuidado com este para não parecer muito forçado, uma banda não pode ser apenas um grupo com musiquinhas legais, tem que ter atitude!);

06 - Relembrar (tocar músicas antigas, a nostalgia tem lá o seu glamour).