quarta-feira, junho 11, 2008

Novo Edital de Cultura

Intercâmbio é o foco do terceiro edital do Fundo Municipal de Cultura

Produção e Circulação de bens culturais - Grupo de choro Língua de Sogra
A partir desta quinta-feira (12), o movimento cultural de Rio Branco pode enviar à Fundação Garibaldi Brasil seus projetos de intercâmbio, que implicam no custeio de passagens e hospedagens. É que neste dia, às 15horas, no Parque Capitão Ciríaco, será lançado o Edital de Intercâmbio, o terceiro referente ao Fundo Municipal de Cultura, com o objetivo de atender às demandas e propostas do Conselho Municipal de Cultura.

O Edital de Intercâmbio tem como finalidade conceder apoio financeiro para a realização de projetos voltados à promoção da difusão e do intercâmbio das manifestações culturais presentes em Rio Branco, mediante o patrocínio de passagens para participação em eventos de cultura nacionais e internacionais.

O apoio destina-se a concessão de recursos financeiros para o custeio de despesas com transporte de artistas, esportistas, técnicos, estudiosos e demais fazedores das manifestações culturais locais.

Para este Edital, será disponibilizado o montante de R$ 40.000,00 (quarenta mil reais). O valor máximo a ser destinado a cada projeto contemplado será de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Os projetos deverão ser executados no período de três meses, a serem contados a partir da liberação dos recursos.

As inscrições poderão ser realizadas no período de 12 de junho a 14 de julho de 2008. No Edital é possível obter mais informações sobre a formatação dos projetos, critérios de avaliação, prazos, entre outros. O documento será disponibilizado no site da Prefeitura de Rio Branco (http://www.riobranco.ac.gov.br/), no blog Cultura RB (http://culturarb.blogspot.com/) e na sede da Fundação Garibaldi Brasil, no Parque Capitão Ciríaco.

Outras Opções de Financiamento Público

Até o dia 20 de junho ficam abertos os Editais de Formação e Produção/Circulação. No primeiro, são contemplados projetos de realização de cursos, oficinas, seminários, entre outras ações destinadas à qualificação dos fazedores culturais. O valor disponibilizado para este Edital é de R$ 60.000,00 (sessenta mil reais).

Já o Edital de Produção/Circulação, no valor de R$ 45.000,00 (quarenta e cinco mil reais), destina-se a projetos de elaboração e divulgação de bens culturais. Ambos estão disponíveis no sites e endereço listados acima. Mais informações podem ser obtidas pelos telefones: 32235202, 32242503, 32240269 ou 32247941.

Giselle Lucena – Assessoria de Comunicação – FGB

* Texto cedido gentilmente pela colaboradora.

Aos meus amores fajutos..

Ao meu Aurélio,

Hoje não me venha com amores fajutos, quero mudanças de opinião sobre o que será o amanhã. Nada de baixar a cabeça, é assim e sempre será... Há muito mais além do que se vê pelas janelas das almas, existe os que são dissimulados ou falsos com si mesmo, acham quem podem fingir mudanças, esquecimentos ou até mesmo perdão para se sentirem superiores dentro de algumas situações.
Onde está a verdade? Por que não tentamos mudar nossa forma de pensar para alcançar sem hipocrisia o que desejamos?
Poderíamos começar reescrevendo como o agir dentro da sociedade. Como seria ótimo não ter medo de contar verdades ao mundo.
Acho que estou me prolongando, sabe Aurélio, tenho olhado muito para os lados e pensado sobre os por ques do mundo ser tão dissimulado, essa semana tenho visto coisas como :
-Pessoas que se separaram não terem coragem de se perdoarem por causa do maldito orgulho;
-Pessoas praticando atos de corrupção ou politicagem para demonstrarem que tem força;
-Pessoas atribuindo a si atos praticados por outros...
Comecei a refletir sobre o meu agir de forma ética e sem atropelos, se era realmente a melhor forma de agir dentro dessa maldita sociedade.
Acho que preciso de ajuda, essa confusão moral me dá náuseas.

Como você está? Tem tido confusões valorativas ou ética nesse lado do mundo?

De sua Fernanda


***Fernanda e Aurélio são personagem do livro "o Segundo ponto das reticências" da colaboradora Walquíria Raizer, que Adaildo Neto e eu assumimos como algo nosso nos nossos blogs pessoais, com a autorização da autora.
Eles estão de volta agora no Grito Acreano e no blog Simples Pecador para discutirem atraves de suas cartas sobre assuntos diversos.

Video aula escada rolante



Video objeto de algum Alcooldocumentário

Italo Rocha visita o lema Glauber Rocha "uma idéia idéia na cabeça uma camera na mão" à pegadinhas de humor ácido.

Alguém já assistiu o Marlindo das Graças ou Lendas Urbanas?

segunda-feira, junho 09, 2008

É hoje, "Segunda se Toca".


Mais uma segunda-feira (09/06) de música boa vai acontecer na Toca do Lobo com o Projeto "Segunda se Toca" - Um Conteito de Cultura, que chega na sua 8º edição e tem pela segunda vez a banda Filomedusa e agraciando com sua belíssima voz a cantora Verônica Padrão. O Projeto tem como objetivo resgatar músicos que são referência no cénario da cultura acreana e também lançar novos talentos, além, é claro, de abrir espaço para músicos e bandas se apresentarem. Em função das férias em julho as atividades vão estar acontecendo todas as segundas, fora do costume, que é quinzenalmente.
A diversão acontece na Toca do Lobo (logo depois do Ieasacre), a partir das 19 horas com entrada a R$ 2,00. Então, separe um trocado e vá conferir!

"Segunda se Toca"
Quando: Hoje, 09/06.
Local: Toca do Lobo.
Horário: a partir das 19 horas.
Entrada: r$ 2,00.

METAL SELVAGEM 2008

FESTIVAL AMAZÔNICO DE HEAVY METAL
REALIZAÇÃO: CROHMA / UNDER ROCK



Bandas do dia 14/06:

Tessaloni - AC
Ammorthyr - AC
Survive - AC
Nephtis - RO
Zebulom - AC
Silver Cry - AC
Dream Healer – AC

Bandas do dia 15/06:
Atomic Beer – AC
Mártires – AC
Tormentor – AC
Hellfire Club – RO
Metal Live – AC
Fire Angel – AC
Nova Banda – AC

Camping, Rockgol, Tattoos, Artesanato, Data-show, Praça de alimentação e
linha de ônibus grátis em três horários: 09h, 15h e 22h.

Passaporte para os dois dias: R$ 10,00
Locais de vendas: Studio Gilmar, Rogério Auto Peças, Mercantil Angra
Apoio: Vereador Márcio Batista, Secretaria Municipal de Saúde,
Fundação Garibaldi Brasil, Rogério Auto Peças, Babú Art`s, Baby
Serviços Digitais, Gilmar Tattoo & Piercing, FNS Designer, JD do
Nascimento, Manucom Informática, Hotel Barbosa, Comercial Quixadá,
Mercantil Angra.

sexta-feira, junho 06, 2008

Los Porongas se manifestam sobre a saída do selo Senhor F





Fernando Rosa, jornalista lendário da cena da música independente brasileira e produtor do Senhor F Discos, divulgou no início da semana uma nota oficial informando que a banda acreana Los Porongas não pertence mais ao cast do selo.

O fato foi motivado pelo recente contrato firmado entre os acreanos e a Barravento Artes, produtora paulista que produz e organiza espetáculos musicais desde 1998.

Na nota, também assinada pelo produtor e sócio do selo Phelipe Seabra, Rosa afirmou que a decisão foi unilateral, rompendo a parceria que dera fruto ao primeiro CD do quarteto, homônimo, lançado no final de 2006.

Em tom de crítica, o jornalista afirmou ainda que “lamenta a condução do processo que reproduz velhos esquemas supostamente superados”. (Ver a nota na íntegra)


Em resposta à nota publicada por Fernando Rosa no site Senhor F, a Los Porongas divulgou nesta quinta, dia 05, um texto contraponto os fatos levantados pelo jornalista na nota oficial.

Na réplica, os Porongas rebatem a nota oficial pontuando meio a vários argumentos, que “o Senhor F Discos não era uma agência produtora da banda, e sim o selo fonográfico do qual fazíam parte”. O texto pode ser conferido na íntegra logo abaixo.

NOTA OFICIAL DO LOS PORONGAS

Assinamos contrato com a agência da música brasileira contemporânea Barraventoartes (www.barraventoartes.com.br) na terça-feira, 03 de junho de 2008, com o intuito de continuar ampliando os espaços conquistados pela banda desde sua formação, em maio de 2003, bem como ingressar no mercado da música profissional, no sentido de dar sustentabilidade à decisão de viver do ofício da arte no Brasil.

Dentro disso, gostaríamos de esclarecer alguns pontos:

1. Em nota publicada no site Senhor F no dia 31 de maio de 2008, Fernando Rosa informou que a banda, por decisão unilateral, havia assinado com a Barraventoartes e que por este motivo estava fora do “cast” do selo Senhor F. Se houve alguma decisão unilateral neste processo, esta foi a tomada por parte do selo, que encerrou, através de uma nota na internet, uma parceria iniciada em dezembro de 2005, deixando todos os integrantes da banda consternados, uma vez que não fomos avisados com antecedência sobre a publicação dessa nota.

2. O Senhor F Discos não era uma agência produtora da banda, e sim o selo fonográfico do qual fazíamos parte. Sempre tivemos um ótimo relacionamento, já realizamos alguns shows em parceria, como em Brasília, por exemplo. Mas, justamente por não termos nenhum contrato oficial que intitulasse o Senhor F como produtora da banda, sempre nos sentimos com a total liberdade de procurar parcerias voltadas para esse tipo de trabalho;

3. Ficamos tristes por saber que o amigo e produtor do nosso primeiro disco, Philippe Seabra, sócio do selo, sequer sabia que a nota havia sido publicada no site Senhor F, apesar de seu nome constar na assinatura da mesma;

4. Durante todo o processo de negociação com a Barravento, deixamos bem claro que o intuito da banda era de continuar fazendo parte do Senhor F Discos, e que nossas relações com o selo continuassem as mesmas, exigências pronta e cordialmente aceitas pela agência. Vários artistas que trabalham com a Barravento têm relações com outros selos fonográficos, portanto, não estaríamos de forma alguma impedidos de continuar pertencendo ao “cast” do Senhor F.

5. Sobre o conteúdo da nota, não é preciso colocar na balança o que o selo fez pela banda e o que a banda fez pelo selo para percebermos que essa parceria foi proveitosa para ambas as partes enquanto durou. Também não é preciso dizer, quanto à cena independente, que não há rompimento com o passado quando se busca sustentar o futuro de forma ética. Expressões como “velhos esquemas supostamente superados” e “o afastamento da banda dos espaços, conceitos e compromissos que norteiam a cena independente”, contidas na nota, nos deixaram extremamente surpresos, simplesmente por não condizerem com a postura da banda em toda sua trajetória, e também pelo fato de serem publicadas num veículo respeitado e com considerável número de acessos, como é o site Senhor F.

6. A discussão sobre os direitos patrimoniais da obra dos Los Porongas e demais assuntos relacionados será feita em particular, como orienta o bom senso, o profissionalismo e a prática de uma relação que se construiu com base no diálogo, no companheirismo e na verdade nestes mais de dois anos de caminhada.


São Paulo, 05 de junho de 2008.
Diogo Soares, João Eduardo, Márcio Magrão e Jorge Anzol – Los Porongas

fonte: Portal Fora do Eixo

quinta-feira, junho 05, 2008

Opinião de três acordes

Hoje, 04 de junho, completa um mês do término da IX edição do Festival Casarão, realizado em Porto Velho de 30 de abril a 04 de maio (palestras + shows). Neste e nos próximos dois posts, serão expostas idéias que andei remoendo, repensando, mas seria inevitável não posta-las . Que venham as críticas:

OPINIÃO
O que veio e o que mudou?

Ao fazer análise do que passou de lá para cá, podemos constatar algumas mudanças em Rondônia, dentre as quais podemos destacar a criação de um novo coletivo cultural na cena porto-velhense (Raio que Uparta) e o surgimento do blog Resenhas Grindcore.

Sobre o Raio... acredito que era uma tendência natural acontecer, algo que era constatado em conversas pré-Casarão, devido à idéias que surgiam (divisão de núcleos de forma horizontal, beradeiros discos, etc.), mas não eram aplicadas no Projeto Beradeiros – Marcos Felipe, um dos idealizadores do novo coletivo era o presidente do projeto na época do Casarão – por motivos que em breve serão esclarecidos em entrevista com integrantes do ... Uparta.

Quanto ao Resenhas Grindcore: ele surgiu em resposta à quantidade de resenhas ‘indies’, as quais os idealizadores do RG dizem ser tendenciosas e artificiais. O blog de cara chamou a atenção pelo nome e pela maneira direta de escrever de seus autores, com boas matérias no início, que incluíam a questão do teatro de Porto Velho, a diminuição de recursos para o SESC voltados à cultura, uma boa cobertura de shows (SESC, 16/05). Mas o que veio para ser diferente acabou ficando igual quando da crítica do blog à banda Strep (ex-Sedna). Para contextualizar, a Strep é uma banda que inclui em sua sonoridade elementos de pop e ska (há controvérsias) e que em breve lançará seu trabalho. Desde quando se chamava Sedna e era de Porto Velho (agora é do Rio de Janeiro) sabe-se lá porquê era banda “non grata” a muitos integrantes do Beradeiros. Com certeza alguém vai lembrar lá nos comentários. Pelo fato de divulgarem músicas que eram da Sedna, um pouco antigas já, é compreensível a crítica do blog, mas acredito que conforme o texto vai se desenrolando e piadinhas, críticas superficiais vão surgindo, aparece uma contradição. Uma piada só tem graça quando quem conta e quem ouve conseguem rir juntos. Ou seja, o resenhas veio com um diferencial, mas em determinado momento caiu no mesmo ponto negativo que o fez surgir.

O último e polêmico texto (afinal é o resenhas grindcore) foi o “Circuito Fora do Eixo e Rondônia”, de autoria de Elton Costa (Rádio Ao Vivo – Beradeiros) que basicamente repercute a passagem do Circuito Fora do Eixo e Espaço Cubo em terras rondonienses, durante o Festival Casarão, além de fazer uma análise do possível futuro da cena local e regional. Elton questiona a aplicabilidade dos conceitos do Circuito Fora do Eixo, sinceramente visualizei uma propaganda da Assembléia Legislativa no texto, como que se dissesse “Rondônia não é terra de indie”. De fato, o que se sobressai em Rondônia são estilos como metal e hardcore, coisa que justamente o pessoal que vem de fora, principalmente Sudeste, está saturado. Partem também desses estilos as iniciativas de fomento da cena local, sejam elas tímidas ou não. Mas é natural, por exemplo, sobressaírem bandas como Recato e Hey Hey Hey, que escapam do lugar comum e apresentam propostas diferentes. Nada contra o hardcore, até porque minhas influências partem daí, mas o pessoal tem que contextualizar, entender e assimilar críticas, senão todos ficamos parecendo crianças que não conseguem chamar a atenção por bem, então, abrem o berro.

O Resenhas Grindcore revela o quão antagônica é o Projeto Beradeiros e a cena musical de Rondônia: temos gente de potencial, ideologias fortes (muitas beiram o radicalismo) e um humor ácido e sincero, que se não for bem dosado, pode se tornar pastelão.

Do meio para o final

Casarão, o Festival

Bom, o que era para ser escrito sobre as bandas já foi, bem ou mal relatado diga-se de passagem, então para dar continuidade à opinião em três partes é hora de analisar o festival Casarão.

Vinicius Lemos, organizador do festival, procurou diversificar na hora de escolher os convidados. Da imprensa vieram representantes de veículos midiáticos como Rolling Stone, Revista Trip, Urbanaque, Folha de São Paulo, Jornal do Brasil, Amazon sat, Jornais do Interior e Senhor F (que não pôde comparecer), além da cobertura local. Da parte imprensa a cobertura que se diferenciou foi a da Amazon Sat, feita pelo repórter cinematográfico Orlando Júnior, tanto pela qualidade do material veiculado quanto pela repercussão que teve, principalmente na região Norte, agregando valor regional ao festival (a Amazon Sat pode ser vista, em canal aberto, em toda Amazônia Legal).

Podcasts a parte, acredito que a cobertura geral do Casarão foi positiva, inserindo o festival no circuito de festivais do Brasil, firmando mais um nome do Norte na mídia especializada, créditos também ao Projeto Beradeiros que com seu Festival também fizeram parte da história de “atração” da mídia, mas há de se firmar que o Casarão desse ano trouxe a consolidação. Enfim, Rondônia, bem ou mal, já faz parte do mapa nacional de música independente.

A vinda de produtores da ABRAFIN e Circuito Fora do Eixo também foi ponto importante, senão o mais, para a consolidação do nome de Rondônia no Circuito. Cerca de 12 festivais (incluindo os do interior de Rondônia) estavam representados ali, reunidos para debater a nova realidade musical brasileira.

Os debates e seminários

No dia 30 de abril começaram o ciclo de debates e os seminários. Infelizmente, por motivos de saúde, Hélio Dantas não pôde estar presente para dar início aos trabalhos, contextualizando a história do Casarão, que dá nome ao festival, assim como a história de Porto Velho, consequentemente a de Rondônia. Começaram os debates os irmãos Bruno Dias e Cirilo Pereira, com a mediação de Pedro de Luna. O tema: mídia independente. O auditório da Biblioteca Francisco Meirelles estava bem ocupado, mas logo se saberia que a maioria das pessoas estavam ali para pegar as credenciais das bandas. Cabe dizer que haveria o debate sobre a cena rondoniense, mas ficaram ali só as “figuras marcadas” que entre futebol e viagens, vêm conversando a muito tempo sobre isso, faltou “platéia” para render mais o debate.

Então, no dia 01 de maio, FERIADO (dia do trabalhador) houve a rodada mais importante de debates, começando com o “momento atual da música brasileira” com Jomardo Jomas e José Flávio Jr. tratando sobre como está a música brasileira, independente ou não, com foco nos festivais de rock brasileiros. Logo após veio o “mesão” que reuniu os debates sobre a ABRAFIN e o Circuito Fora do Eixo em um só momento. Os dois Pablos, Kossa (Fósforo Cultural) e Capilé (Espaço Cubo), iniciaram a mesa contextualizando o Circuito Fora do Eixo e o que o mesmo trouxe de novo para o cenário brasileiro, como a inserção dos conceitos da economia solidária no mercado da música, a criação de moedas complementares (como o Cubo Card), a circulação de bandas, o conceito do artista igual a pedreiro, pontos de cultura, etc. E vieram Fabrício Nobre (MQN e ABRAFIN) e Lariú (MM Records) tratando da Associação Brasileira de Festivais Independentes, como foi criada, o que está sendo feito em 2008 e o que será feito em 2009, as novas articulações, entre outros assuntos.

Vamos aos fatos:

O pouco quorum, após a entrega das credenciais das bandas no dia 30 de abril é compreensível, afinal era dia de semana, muita gente não vive de rock.

Mas, no dia 1, feriadão, um bom programa seria assistir aos debates. A maioria das pessoas com quem conversei citou que deixaram de participar da rodada por terem compromissos de ensaio com suas respectivas bandas, até aí compreensível, nada mais que natural. Só acho complicado o fato de também a maioria que faltou serem exatamente os que mais questionam os métodos adotados pelo circuito.

Frustração igual tive no Intercâmbio Rock ano passado, lá em Ji-Paraná, quando foram convidados vários agentes ligados a coletivos organizados ou bandas para debater sobre o rock de Rondônia, principalmente à movimentação do interior, onde muita gente se acha “injustiçado” por não ter espaços para tocar, mas não procura se interar o que acontece em cada cidade, para poder abrir a possibilidade de contatos. Só aparecem para reclamar que existe panelinha nas cidades, e entre elas, ou então falam que não apoio à cultura. Típico de quem não quer nada sério e para complicar quer atrapalhar a vida de quem está na batalha, não importando, aqui, a forma de trabalho.

O Festival Casarão deste ano trouxe uma boa oportunidade de debate, infelizmente não foi aproveitada muito bem por quem é daqui. Quem veio de fora, para conhecer in loco a cena rondoniense, levou algumas conclusões para seus pares em suas respectivas cidades. Podem até ser conclusões um pouco fora do que é a realidade local. Mas quem poderia contribuir para um debate mais completo não compareceu.


Nettü Regert, Coletivo Vilhena Rock e Enmou.
Texto retirado do blog Vilhena Rock Zine.

terça-feira, junho 03, 2008

Programa de Intercâmbio e Difusão Cultural




Para viagens em julho, inscrições prorrogadas até dia 04 de junho

O Ministério da Cultura divulga o segundo edital de 2008 do Programa de Intercâmbio e Difusão Cultural, que cobrirá as viagens a se realizarem de julho de 2008 a março de 2009.

O Programa destina-se a artistas, técnicos e estudiosos da área cultural, convidados a participar de eventos fora do seu local de residência, no Brasil e no exterior, para apresentar trabalho próprio, fazer residência artística ou curso de capacitação de profissionais da cultura.

O evento deve ser promovido por instituição de reconhecido mérito, brasileira ou estrangeira, desde que não seja apoiado ou realizado pelo Ministério da Cultura ou por uma de suas vinculadas.

Podem se inscrever pessoas físicas, grupos ou entidades culturais privadas e sem finalidade lucrativa, cujas candidaturas serão divididas em propostas individuais ou de grupo, concorrendo separadamente. No caso das solicitações individuais, poderão ser apresentados pedidos com vistas à residência artística ou curso de capacitação de profissionais da cultura.

Fonte: Ministério da Cultura

Mais informações, clica aqui.

segunda-feira, junho 02, 2008

Quero uma escada de preferência sem degrau...

Banda Los Porongas não é mais do 'cast' do selo Senhor F Discos
A opção pelo o "eixo"

* Da Redação

A banda Los Porongas não pertence mais ao "cast" do selo Senhor F Discos. A informação é da própria direção do selo, em nota divulgada nesta sexta-feira em sua página do MySpace. Na nota, o selo diz "estranhar a decisão que rompe com uma trajetória que, em pouco tempo, deu visibilidade nacional para a banda". Veja a íntegra da nota abaixo.

Nota de esclarecimento

A banda acreana Los Porongas não pertence mais ao "cast" do selo Senhor F. Por decisão unilateral, a banda assinou contrato com a produtora paulista Barravento Artes. Com isso, o selo Senhor F Discos não mantém mais nenhum vínculo presente e futuro com Los Porongas. Os direitos sobre o disco de estréia, lançado em 2007, bem como a edição do DVD licenciado pelo Itaú Cultural, permanecem com o selo.

O selo Senhor F Discos estranha a decisão que rompe com uma trajetória que, em pouco tempo, deu visibilidade nacional para a banda. Ao longo desse período, o selo propiciou condições e qualidade técnica inéditas para a banda gravar seu primeiro disco. Também contribuiu decisivamente para a orientação artística e estratégica da carreira, que resultou rapidamente em novos espaços, inclusive internacionais, e produtos.

Mais do que o afastamento da banda do selo, Senhor F Discos lamenta a condução do processo que reproduz velhos esquemas supostamente superados. Assim, os fatos apontam para o afastamento da banda dos espaços, conceitos e compromissos que norteiam a cena independente. O selo Senhor F, por sua vez, mantém sua trajetória de apostar na construção de uma nova realidade, que contemple não apenas um novo “mercado”, mas também novas formas de relacionamento.

Senhor F Discos
Fernando Rosa & Philippe Seabra
www.myspace.com/senhorfdiscos

domingo, junho 01, 2008

Porto Velho e sua visão cubista

Se for um canto que seja ao Norte!

Após o Festival Casarão e a passagem do Espaço Cubo por Porto Velho, percebeu-se que a chama dos movimentos reacendeu, principalmente para o Projeto Beradeiros que encontrava-se sobre uma intensa e tumultuada chuva de ataques e contra-ataques. Mas antes de aprofundarmos na atual conjuntura da cena de Porto Velho, precisamos rever a quantas andava o Projeto Beradeiros.

Festival Beradeiros: Surgiu em meados de 2005 com a necessidade e o objetivo de unir as cenas do Acre e Rondônia, bem como realizar eventos que valorizassem as composições próprias. O projeto logo ganhou uma grande aceitação por partes das bandas e do público local. Os contatos se intensificaram e chegaram a outros horizontes do país.

Após o Festival Beradeiros de 2007, grande parte dos fundadores do Projeto Beradeiros teve que deixar o projeto, alguns por motivos pessoais, outros motivos profissionais, surgiu então uma nova geração que ficou com a missão de dar continuidade a esse fruto. Com uma nova visão, novos ânimos, e com pouca participação das bandas de Porto Velho o projeto realiza o Grito Rock Porto Velho e logo depois acaba parando. Momento no qual ficou a tal reflexão “Aonde foi que erramos?”.

Espaço Cubo e Circuito Fora do Eixo? O que é isso?
Espaço Cubo e o Circuito Fora do Eixo: O Circuito Fora do Eixo é uma rede de trabalhos concebida por produtores culturais das regiões centro-oeste, norte e sul no final de 2005. Começou com uma parceria entre produtores das cidades de Cuiabá (MT), Rio Branco (AC), Uberlândia (MG) e Londrina (PR), que queriam estimular a circulação de bandas, o intercâmbio de tecnologia de produção e o escoamento de produtos nesta rota desde então batizada de Circuito Fora do Eixo. A rede cresceu e as relações de mercado se tornaram ainda mais favoráveis às pequenas iniciativas do setor da música, já que os novos desafios da indústria fonográfica em função da facilidade de acesso à qualquer informação criou solo ainda mais fértil para os pequenos empreendimentos, especialmente àqueles com características mais cooperativas. (texto extraído do site www.foradoeixo.org.br).

Na mesma época que conhecemos o Fora do Eixo também conhecemos o Espaço Cubo, afinal dá pra confundir, né? O Espaço Cubo é um coletivo que foca suas ações na troca de experiências e tecnologias, bem como a importância da organização de cada cena. Porém com o Projeto Beradeiros nunca se estabeleceu uma parceria.

A Atual Cena

Após a participação do Espaço Cubo como parceiro do Festival Casarão, realizando funções que em Porto Velho seria difícil encontrar, ocorre uma quebra nas relações harmoniosas e pouco produtivas dentro do Projeto Beradeiros. Marcos Mitos, o então presidente do Projeto Beradeiros, decide deixar o projeto com o intuito de formar um novo coletivo alegando que suas idéias não caberiam no formato do Beradeiros.

Este fato causou muita instabilidade na cena de Porto Velho, desde então ataques agressivos e discussões muitas vezes tolas são corriqueiras entre aqueles que fazem a coisa acontecer. Associou-se então tal fato a passagem do Cubo por nossa terrinha. Uma vez que o projeto sempre viveu entre amor e ódio. Ok! Admito que mais ódio do que amor, porém nossos objetivos nos uniam, até que chegou o Espaço Cubo para somar com os nossos objetivos, e subverteu o alívio não cabe mais....

Sempre existiu polêmica entre Porto Velho e o Espaço Cubo, que tal formato não caberia em nossa terra, que o Cubo privilegia o estilo Indie, e blá blá blá. Ouvi algumas opiniões sobre qual o efeito dessa passagem e o que os Cubistas poderiam trazer de útil para nós e se algo mudou em nossa cena:

"Trouxe muitas coisas boas, abriu nossas cabeças, pra tipo: dá certo se tu correr atrás, com seriedade e afinco, acho que serve demais" (Raphael – Di Marco – Ji-Paraná)

“nem tudo que é possível lá hoje...é possível aqui hoje..
o pessoal do fora do eixo fazem política muito bem....é o que precisamos aprender...os caminhos políticos....a gente saber como conseguir e obter o que nos é de direito”(Rafael Altomar – Bicho do Lodu)

“mudou, na articulação para fora do estado, ou seja, na possibilidade de troca de tecnologia com outros cantos do país” (Nettü – Vilhena Rock)

“Em parte, boas trocas de experiência que resultaram em acender a chama do independente mesmo em várias pessoas (aonde vai dar essa chama num sei, mas acendeu)” (Vinicius Lemos – Fan Rock)
O Circuito Fora do Eixo é uma das armas que as bandas independentes possuem, e que devem usar o máximo possível, pois pode facilitar a divulgação das mesmas, mas... Como tudo na vida existe o tal do "mas". Acho que há uma ênfase muito grande em certo estilo musical, o que acaba consequentemente diminuindo o espaço de outros estilos menos agradáveis aos ouvidos de quem não está acostumado com o “barulho”... Vejamos um exemplo. Num festival qualquer do Circuito Fora do Eixo os jornalistas vão sempre falar mais das bandas do estilo "indie" e bandas de punk, hardcore, heavy metal terão seus espaços reduzidos nos comentários e muitas vezes nem serão citadas, nada mais normal que isso. Ora se a especialidade e preferência pessoal é o "indie" nada mais justo que resenhar bandas de “indie”, o problema gira em torno das resenhas e apoio concedidos aos estilos mais "barulhentos", estas, sempre estão forradas, transbordando ignorância e preconceito musical, comentários do tipo "banda legal, mas não vejo futuro", “músicas iguais as do Sepultura” “músicas iguais as do Ratos de Porão” São comuns nestes meios... E se trocarmos as figurinhas de lugar? Iríamos a um festival em que fosse o inverso os comentários seriam a mesma coisa, o punk, hardcore, heavy metal seriam enaltecidos,enquanto que o “indie” receberia exatamente as mesmas críticas, “parece cachorro grande” “bandas chatas” “parece los hermanos” então chego a seguinte conclusão: as coisas funcionam pra quem deve funcionar, pra Coveiros não funciona, prefiro continuar nos buracos do hardcore mesmo. (Giovanni Marini – Coveiros)

Acredito que em longo prazo essa passagem não tenha grandes efeitos, há algum tempo já se notam outros movimentos atuando em Porto Velho, podendo citar o Fan Rock que realiza o Festival Casarão, o Cogumelo Nuclear que realiza grandes eventos de metal. O movimento Underground de Porto Velho com bandas e evento de rock gospel underground, e as próprias bandas como a Rádio ao Vivo que realiza as Under Rock’s. As vezes penso num futuro com divisão de bandas como rótulos, desse ou daquele coletivo ou movimento, nesse evento só toca banda do meu movimento e naquele só toca banda daqueles movimento, algo com o espírito do garoto dono da bola que não joga nada (hehe).

Como minha visão de futuro Administrador, vejo que o que é certo é a necessidade de uma organização maior dos movimentos, obtendo seriedade de seus membros, articulação, profissionalismo, planejamento, estarmos com os objetivos claros, com nossa missão e visão, e o que acho primordial, pensamento coletivo, se é pra ficar num coletivo de bandas, não podemos ser egoístas e querer beneficiar apenas a minha ou aquela banda, é preciso ser consciente, afinal, é um coletivo.

É necessário antes de tudo que o povo de Porto Velho conheça suas bandas. Valorizarmos o nosso produto, que os eventos sejam auto-suficientes e que se construa uma cena realmente forte.

Porto Velho hoje implora por uma organização de seus movimentos, é certo que não dependemos do Espaço Cubo, do Bush ou do Coelhinho da Páscoa ou quem quer que seja. Somos apenas dependentes de nossas atitudes e ações.


Escrito por Elton Costa
Colaborador do Projeto Beradeiros
E músico da Rádio ao Vivo