quarta-feira, outubro 24, 2007

Segundo dia do Festival Varadouro

Marlton

Debutando no Festival Varadouro, a "jovem" banda fez uma boa apresentação. Com seu "hardcore melódico progressivo e com influências do metal", mostrou que tem uma boa presença de palco abrindo a segunda noite do festival.

Mesmo tocando cedo, um público considerável acompanhou o show. A Marlton sempre teve um público fiel e volumoso. As músicas apresentam uma evolução durante o show. A última do repertório, "Estocolmo", gravada recentemente, mostra uma evolução no sentido de amadurecimento da banda. Com mais rodagem e punch, a banda tem o potencial de ser grande.

Mr. Jungle

O velho chavão que "gosto não se discute" é o onde sempre termina uma conversa sobre um evento com dezoito bandas com propostas musicais diferentes como foi o Festival Varadouro 2007. Porém, de antemão aviso: vou discordar. O fato é que, sem querer desmerecer as demais bandas, a noite foi da Mr. Jungle.

A banda de Roraima fez aquilo que entre amigos chamamos de "rock'n roll sem frescuras", com uma presença de palco eletrizante, arranjos simples e bem feitos, letras em português e uma alegria de estar no palco – que apesar de ser fator obrigatório, é o que raramente se vê – tornando praticamente impossível não balançar a cabeça durante o show.

Mr. Jungle lembra muito as lendárias Velhas Virgens e Made in Brazil e nos faz como diz uma das suas letras "querer ser um rockstar". E esse é o espírito da coisa! Com sete anos de estrada e o lançamento do CD previsto para janeiro de 2008, a Mr. Jungle prova que música tem que ser feita antes de tudo com paixão e que apesar de todas as dificuldades é importante investir em festivais. "Acreditamos no rock'n roll. Para fazer isso, o público é o combustível de tudo", disse Manoel Vilas Boas. Na última música da noite, Manoel Vilas Boas alertou que iria tocar fogo no show. Entretanto, terei que desmenti-lo: eles tocaram fogo desde o começo.

Blush Azul

Os integrantes da Blush Azul deram, literalmente, um show. Parecia que a 'banda das meninas e do menino', como é comumente chamada, estava naquele festival pela primeira vez. Dominaram o palco como se fossem veteranos."

Ao som das primeiras notas de "Vai", uma das músicas mais conhecidas, a galera deliciou-se e contou os segundos para que começassem a cantar junto. E um show à parte quando Irlla surpreendeu a galera girando malabares no palco. Agradaram e surpreenderam. "Muito obrigada", finaliza. Vocês merecem.

Nicles

"Viva o psicodelismo, abaixo o pop"

A Nicles foi a quarta banda a pisar no palco no segundo dia do Festival Varadouro. O público ainda estava assimilando o progresso deles através da apresentação e em todas músicas de seu repertório isso foi nítido.

Suas letras introspectivas, um solo de teclado novo, o recurso do alto falante, as performances peculiares e frenéticas do Kílrio ( e ele deu um sorrisinho quando viu um no público dançando como ele ), autenticidade alcançada faz parte do que o vocalista mesmo disse: "a tentativa de aumentar a cena".

Só não foi melhor porque a dicção não é o forte e muitas vezes fica só nos balbúcios e o peso dramático (eu amo a banda, mas eis un detalhe que precisa ser considerado!). E eles saem do palco dizendo: Obrigado a todos, aos meus amigos e os inimigos também!

Ludovic

Um dos shows mais esperados por mim, não só porque iria resenhá-los, mas porque já estava curtindo o som dos caras antes do festival. "Um dos shows mais poderosos da cena independente. Som que se define sem muitas palavras", apresentou Aarão Prado. E não há muitas palavras mesmo.

Aquele lugar virou um verdadeiro hospício. Aquele exorcismo de Ludovic no palco é algo incomparável. O público urrou - afinal gritar é coisa de gente normal, e já não havia ninguém nesse estado ali. Estavam todos entorpecidos com aquele teatro sem máscaras, onde a verdade nua e crua se desenvolvia. Mandou bem. Aplausos dignamente merecidos.

Mapinguari Blues

É impossível falar da cena rock/blues acreana sem destacar a importância dessa banda para tal história. Como disse o vocalista Roni, "existe blues em qualquer lugar", e foi com a responsabilidade de provar que o blues também vive no Acre que o Mapinguari subiu ao palco e tirou o fôlego dos espectadores presentes no Festival Varadouro. Nascido há onze anos, o Mapinguari Blues apresenta um nível que não deixa a desejar a nenhum outro grande centro do país, misturando influências que vão de Steve Ray Vaughan até os arredores das águas do Igarapé Judia.

O público conhecia as letras das músicas, sempre com temáticas focadas no cotidiano do povo acreano, em especial o rio-branquense. "Ver essa ligação forte entre as pessoas que estavam aqui hoje e a banda foi a maior alegria da vida", afirma o guitarrista Charles Sampaio. Aliás, vale ressaltar que, mesmo com alguns contratempos de ordem técnica, o Mapinguari deixou o show debaixo de um coro com inúmeros pedidos de bis, ou seja, o melhor termômetro da aceitação da platéia.

No backstage do Festival Varadouro não se comentava outra coisa além da apresentação dos blueseiros acreanos. Um produtor de Manaus chegou e me disse "cara, essa banda é demais e esse guitarrista é gênio!". Esses foram os frutos semeados pela banda que no final de novembro lançará seu CD com oito músicas. Só resta aguardar com muita ansiedade.

O quarto das cinzas

"Árvores caminhando pela noite, sombra de luz. Sob as folhas palavras e silêncios, por trás da nuvem, a lua, o ar, estrelas. Essa é a sua paisagem..."

Foi com a introdução de Flora Pura que O Quarto das Cinzas descreveu a Arena da Floresta no segundo dia do Festival Varadouro e entregou a fórmula do que seguiria: "Sente o encantamento...", é exatamente o que se deve fazer num show dessa banda.

Uma sintonia fina salta do palco. Baixo, Guitarra, um lap top, o aparelho portátil que o baixista controla manualmente para fazer batidas eletrônicas (Qual o nome?) e uma vocalista que flutua, sem deixar que se defina se seu canto é mais doce ou desafiador. A batida trip hop que vai desacelerando sob um quê rock n roll e algo de místico acompanha as letras que falam de sensações. Tudo provoca.

Depois de pedir licença aos seres da Floresta, como se a energia da noite já não fosse uma total permissão, a voz de Laya Lopes segue com Anoiteço e Viciante, do EP "A chave", que realmente abriu a porta dO Quarto prum público que na maioria não conhecia a banda, mas àquela altura já estava hipnotizado e mais a vontade ainda quando o vocalista Diogo Soares, da banda acreana Los Porongas, subiu ao palco em Circulares, numa intimidade envolvente de vozes, mãos e movimentos. "Tudo que for seu" antecede a despedida, atendendo à um pedido vindo do público e mais adequado impossível: "Incontrolável".

O Quarto das Cinzas é um sopro suave no ouvido, com todo arrepio que isso causa.

Los Porongas

De novo, Porongas mostrou o que é tocar em casa. Uma energia incrível tomou conta do Estacionamento da Arena da Floresta. Nesse Festival, pela primeira vez, decidi acompanhar um pedaço do show de cima do palco. É muito forte a presença da banda e tudo que ela passa pro seu público.

A participação do Hermógenes na música da banda Capú serviu para coroar toda uma homenagem e uma difusão do espírito da música independente no nosso estado. A banda Capú foi pioneira em música autoral num tempo em que isso era inimaginário. "É muito satisafatório ver a grandeza desse evento e dessa mentalidade autoral. Ficou muito feliz.", me confessou o Hermógenes, depois do show.

Los Turbopótamos

“Viva a integração da América Latina!”

Chegaram reconhecendo o terreno, olhando pela as beiradas, tentando fazer se passar por despercebido. Apesar de todos estarem bem à vontade, não percebi neles aquela coisa rock’n’roll e até achei estranho, afinal, tinha escutado algumas musicas da banda na internet e eles tinham uma boa pegada do rock com um pouco de ska. Pensei : “esses peruanos estão escondendo o jogo!”

Dito e feito. Bastou subir no palco e arrasaram. A diferença de idiomas não foi uma barreira, pois o idioma oficial do Festival Varadouro era a música, a boa musica. E esses caras deram um show para ninguém botar defeito, com direito a bis e tudo mais. E é de se admirar pois eles pegaram o publico que já estava esgotado do show do Los Porongas e conseguiram manter a mesma linha de diversão e interação.

Muchas graças!



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J. Arthur resenhou as bandas Blush Azul e Ludovic
Miriane Braga resenhou a banda Nicles
Santiago "Cidão" resenhou as bandas Los Porongas e Marlton
Mayara Montenegro resenhou a banda Quarto das Cinzas
Helder Junior resenhou as bandas Mr. Jungle e Mapinguari Blues

Fotos por Talita Oliveira e Nattércia Damasceno

9 comentários:

  1. Rodrigo10:48 AM

    mas não era, de fato, a primeira vez da blush no festival? Oo

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  2. é, vou corrigir.
    erro de digitação! ;)

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  3. como eu não consegui editar peço ao neto que faça essa correção e acrescente a palavra "não" antes de "Parecia que a 'banda das meninas e do menino'", ok? ;)
    Obrigado!

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  4. Ô seu artur, o senhor é um fanfarrão, seu artur!

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  5. O Victor vai se sentir ofendido não com o erro, mas com a correção...
    Hahahahaha

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  6. E falo mais, eu acho que faltou o Arthur falar da nova música da Blush que, mostra a evolução da banda, com destaque para 'Amargo Perfume'

    no mais, Parabéns!

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  7. Anônimo4:18 PM

    quem resenhou os turbopotamos???

    Gostei de muitas resenhas, mas algumas faltou detalhes, algo que remetesse a sensação dos shows...

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  8. é anônimo, concordo.
    crítica para melhorar da próxima vez.
    obrigado! ;)

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